Estamos na Fase de Devolver o Humano para o Humano

Estamos na Fase de Devolver o Humano para o Humano

Por: Cícero Cotrim e Maiara Barboza

Os robôs não são vilões da carreira, na visão da consultora Ligia Zotini, fundadora do Voicers, empresa que educa e prepara profissionais para futuros desejáveis. “As máquinas podem ajudar as pessoas a encontrarem suas melhores versões profissionais”, diz ela, que se apresenta como pesquisadora e pensadora do futuro e tem no currículo onze anos de IBM. Em entrevista ao Estadão QR, ela ressalta a importância para o profissional tentar se reencontrar com o seu lado mais humano. Leia a seguir os principais trechos:

Qual o seu conselho para a transição profissional na era da automação?

Se os profissionais se prepararem para entregar valor agregado na profissão de que gostam, verão a automatização e as máquinas não como algo que os levará ao desemprego, mas que os promoverão para as suas melhores versões profissionais. Mesmo que elas desapareçam tal qual conhecemos hoje, algumas profissões serão recriadas sob economias mais tecnológicas, leves e fluidas.

De forma geral, o profissional brasileiro está qualificado para encarar esse desafio?

Considerando os 30 milhões de empregos que segundo o levantamento do Ipea podem deixar de existir até 2026, ou 54% do total, eu diria que não. Essa faixa abriga cargos ainda muito repetitivos e ocupados por pessoas que estão no modo sobrevivência – dificilmente elas irão entender esse processo de migração. Já os outros 46% que irão sobrar talvez sim, pois são pessoas que em um nível maior ou menor, já conseguem entender que todas as atividades repetitivas serão automatizadas e que será necessário desenvolver novas habilidades.

E como o profissional deve agir caso perceba que há risco parcial ou total de automação das suas atividades?

Se esse profissional passa muitas horas do seu dia sendo usado como máquina, então sua postura precisa ser: tenho que migrar agora dessa posição, porque ela vai desaparecer. Mas se isso acontece em atividades pontuais, a sua profissão não corre risco de automação. Logo, o pensamento deve ser: vou passar a me dedicar e fazer com mais qualidade todas aquelas atividades mais estratégicas para as quais antes eu não tinha tempo.

A tendência é de empregos menos técnicos e mais estratégicos?

Se o emprego técnico for aquele que envolve uma constante repetição de tarefas, então haverá, sim, uma dimensão que será executada pela máquina, independentemente do nível hierárquico. Ou seja, estamos entrando na fase de devolver o humano para o humano. Logo, muitas das profissões que temos hoje vão continuar existindo, mas elas vão perder o caráter técnico e passar a ter muito mais o olhar do próprio profissional naquela atividade. 

Nesse cenário, todos terão de se readaptar?

Sim, todos os profissionais terão que reaprender a serem mais humanos, para que nós consigamos conectar o melhor da tecnologia com o melhor do humano. Quanto menos você conhecer o seu maior talento, mais alto será seu risco de automação. A autoconsciência e toda essa questão de conseguir expandir a própria humanidade servirão como um status quo que trará um diferencial competitivo nesse novo mercado.

Na sua opinião, há uma ampla adoção da automação ou ela está concentrada em alguns setores?

O que eu creio que acontece no Brasil é a existência de grandes bolsões localizados entre São Paulo e Rio de Janeiro e que nós ainda não temos, fora desse eixo, um significativo processo de automação. Mas essa é também uma característica comum dos países em desenvolvimento.

Fonte: Estadão QR


Nessa entrevista ficou claro que as máquinas podem ajudar as pessoas a encontrarem suas melhores versões profissionais. Porém a maior dúvida é por onde começar?

O Voicers preparou um evento que trarão alguns mapas de transições para que você possa se apropriar dessa era de Transição:

Local: R. Marquês de Itu, 847 – Vila Buarque – Hacienda
Data: 05/08
Manhã: das 9h30 às 12h30
Noite: das 19h às 22h
Inscreva-se em https://www.sympla.com.br/profissoes-organizacoes-e-relacoes-humanas-na-soft-economy__574433


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Solange Luz

Ela é a construção de todos que conheceu e de tudo que viveu, especialista em sonhar acordada e falar consigo mesma. No Voicers é a CCC (Content, Creator & Curator), carinhosamente conhecida como Queen of Words.
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