O Dia Em Que Me Disseram Que As Máquinas Tirariam Meu Trabalho

O Dia Em Que Me Disseram Que As Máquinas Tirariam Meu Trabalho

Texto de Paula Lopes | Marketing e Comunicação :: Data & Artificial Intelligence

Esses dias, a Ligia Zotini Mazurkiewicz, uma amiga querida ex-IBM, fez um post sobre uma pesquisa do IPEA que analisa profissões com altos e baixos níveis de automatização, utilizando é claro a justificativa básica do crescimento voraz do Machine Learning e, “on top”, da Inteligência Artificial:

“O ambiente gerencial tem sofrido mudanças drásticas em sua estrutura funcional devido à inserção de novas tecnologias nas organizações. Algoritmos e automação por meio do aprendizado de máquina (AM) tornaram-se cada vez mais comuns, principalmente devido à competição entre as firmas para aumentar a produção e reduzir os custos (Crews, 2019).”

Tá! Normal, Paula, só se fala disso nos últimos tempos. Já estou cansad(x) de saber que serei substituido e blablablá. Por que o choque? Por que um post sobre isso agora? Porque, amigos, vejam bem a análise de propensão a automatização abaixo, realizada pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações (LAMFO), da Universidade de Brasília:

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Ou seja, segundo análise do LAMFO, há 100% de possibilidade de automação do meu trabalho. E aí você pensa: “Vai troxona, fica mesmo trabalhando para vender mais IA, fica fazendo divulgação e defendendo Machine Learning. Logo menos você tá desempregada”.

Éééééééé…não é bem assim.

Se a gente analisar friamente as obrigações e atividades de cada profissão, sem uma vivência dos desafios e das adaptações necessárias, provavelmente a maioria dos profissionais seria substituível. Aliás, você seria substituível até como mãe, pai, namorad(x), espos(x) ou como don(x) do seu cachorro.

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Mas o mundo real não é assim tão simples e, observando bem as atividades relatadas a fim de determinar a possibilidade de automação do meu trabalho como gerente de marketing, eu honestamente não acho que nem 50% delas podem ser bem realizadas sem um humano atuante. Percebam na imagem ao lado.

Você realmente acredita que será possível automatizar a realização de eventos ou a representação pública da sua empresa? E quem dirá a demosntração de criatividade e a gestão de recursos humanos?

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Então você está dizendo que o LAMFO está errado, Paula? Que a pesquisa deles não serve para nada?

NEGATIVO (até porque quem sou eu pra dizer se alguém está certo ou errado, não é mesmo?)! O que eu estou dizendo é que eu sei muito mais dos percalços cotidianos da minha função e que é extremamente claro para mim que profissionais bem qualificados e que saibam utilizar a IA e Machine Learning como benefício para sua atividades (como para a análise de tendências de mercado, o atendimento ao cliente e a administração de recursos finananceiros) podem se dar muito bem na “era das máquinas”.

Neste ponto, eu concordo muito com algumas constatações do IPEA, como a seguinte: “Apesar da porcentagem aparentemente alarmante de profissões em risco no futuro próximo, há diversos cenários de transformação a se considerar na dinâmica do mercado de trabalho brasileiro. Por um lado, atividades tipicamente rotineiras e não cognitivas, como a de ascensorista, devem de fato ser automatizadas. Por outro, outras profissões que integram tanto subtarefas facilmente automatizáveis quanto as de difícil execução por robôs devem sofrer transformações em função do desenvolvimento da tecnologia e da inteligência artificial. A tendência é que essas ocupações fiquem cada vez mais centradas em tarefas intensivas em criatividade e análise crítica e gradualmente se afastem de atividades corriqueiras e repetitivas”.


Moral da história: estude, especialize-se e conheça as “tecnologias ameaçadoras”. Acredite, elas podem ajudar muito mais do que atrapalhar 😉


Obs: quer ver as pesquisas citadas? Neste link você encontra a do IPEA e neste aqui a do LAMFO.

Texto publicado originalmente pela Paula Lopes no LinkedIin

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